Operação da PF bloqueia R$ 1 Bilhão em contas de suspeitos de lavagem de dinheiro

Uma das empresas investigadas é beneficiária do PERSE, programa cujo futuro tem gerado debate entre governo e Congresso

A Força Tarefa de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal (PF) de São Paulo deflagrou, nesta terça-feira (12), a operação Latus Actio, com objetivo de reprimir crimes de lavagem de dinheiro nos setores de entretenimento e de autopeças. Ação foi conjunta com a Receita Federal (RFB) e a Secretaria Municipal da Fazenda.

Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão na capital paulista, além de Guarujá, Itu e Indaiatuba. Também foram decretadas ordens judiciais de bloqueio de valores em contas bancárias dos investigados até o limite de R$ 1 bilhão, assim como o sequestro de imóveis e veículos avaliados em mais de R$ 60 milhões.

O inquérito foi instaurado em 2022 com informações acerca de transações financeiras suspeitas e não declaradas ao Fisco. Possíveis “laranjas” e empresas de fachada estão sendo investigadas.

Os suspeitos possuem extensa ficha criminal por delitos como tráfico de drogas, crimes contra o patrimônio e organização criminosa. Um dos empresários foi autuado pela RFB em 2023, com valores que superam os R$ 43 milhões.

A Receita e a Secretaria Municipal da Fazenda de SP irão instaurar novas ações fiscais, desta vez, contra as pessoas jurídicas — uma delas, beneficiária do Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos).

O programa teve início em 2021, ainda no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com a intenção de conceder socorro temporário e diminuir os prejuízos acumulados pelos setores de eventos e turismo durante a pandemia.

A mudança proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) veio em medida provisória (MP) protocolada em dezembro do ano passado, estabelecendo um fim gradual até 2025. Para valer, no entanto, a medida precisa ter apoio de deputados e senadores.

Um ato no Congresso Nacional na quinta (7) saiu em defesa do Perse. O movimento pressiona o governo, que sugeriu o fim do benefício para reduzir despesas públicas.

O Ministério da Fazenda apontou suspeitas de desvios no programa e deve enviar novo projeto de lei para tratar do tema.

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