Reitor da UFMA homenageou o deputado forasteiro que ataca o STF e Lula

A imagem do suplente de deputado federal, o forasteiro Allan Garcês, que está no mandato por causa da licença do deputado André Fufuca (União Progressista), que ocupa o Ministério dos Esportes, correu nas redes sociais, por causa do jaleco da UFMA na manifestação contra o STF e em apoio ao ex-presidente Bolsonaro, amplamente veiculada pela mídia, causou revolta e indignação entre a comunidade universitária. O gesto foi visto como uma afronta à Instituição, espaço em que a defesa da democracia é uma pauta cotidiana da conduta acadêmica e práticas sociais.
O uso do jaleco com o brasão da UFMA em um evento claramente Golpista, na qual foi tomado o Plenário da Câmara dos deputados, e nada tinha a ver com o protocolo institucional, além de inadequado, associa a imagem da Instituição a um grupo político que tem atuado para atacar autoridades da Suprema Corte na tentativa de subjugar a justiça brasileira e ferir a soberania nacional.

O deputado Allan Garcês (PP) é professor do Departamento de Morfologia, do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da UFMA, e na Câmara Federal sua atuação é marcada pelo alinhamento com a práticas golpistas do bolsonarismo, a defesa das pautas conservadoras da direita e contra os interesses dos estudantes e trabalhadores.
Recentemente, o reitor da UFMA homenageou Garcês com uma honraria pela sua contribuição “para o desenvolvimento acadêmico e científico da Instituição”, conforme noticiou o site da Universidade. Segundo a publicação, a homenagem foi concedida em agradecimento aos recursos de emenda destinada a UFMA pelo parlamentar, verba que Carvalho diz pretender aplicar na revitalização do Núcleo de Extensão da Vila Embratel. O espaço, que já foi um importante polo de atendimento à comunidade do bairro e seu entorno, esteve abandonado por quase dois anos desde a posse do atual reitor.
Além disso, prestes a completar a metade do seu mandato, Carvalho tem adotado práticas de gestão cada vez mais identificadas com um perfil autoritário e antidemocrático, desprezando o diálogo com a comunidade universitária e indiferente ao clamor dos segmentos que formam a UFMA. Extinguiu Departamentos, medida considerada pelos docentes arbitrária e prejudicial ao ensino, impôs transferência de servidores dos seus locais de trabalho, fechou unidades da UFMA no interior do estado e governa com mão de ferro, sem dar ouvido aos apelos por melhorias a setores que se encontram em franco declínio.
É o caso do curso de música, ameaçado de fechar por conta das condições precárias de funcionamento. Os professores se queixam da falta de instrumentos, de salas de aula, de recursos humanos e de um espaço adequado capaz de oferecer uma formação de qualidade aos alunos.
As reinvindicações têm sido solenemente ignoradas pela administração da UFMA que, descumprindo o prometido, não mais destinará o Palácio das Lágrimas, atualmente em obras, para abrigar as atividades do curso. A restauração do imóvel histórico está sendo feita pelo IPHAN e, depois de entregue, o prédio vai sediar um escritório de inovação e extensão, medida já anunciada pelo reitor, embora não explique exatamente como tal órgão funcionará.
A UFMA sob o comando de Fernando Carvalho vai se identificando cada vez mais com episódios como o da imagem que revoltou a comunidade acadêmica. A Universidade em que uma gestão autoritária impõe a sua vontade à força, sem se preocupar com os prejuízos que isso possa causar, em um flagrante desrespeito aos princípios democráticos e aos interesses coletivos.




