O crime foi encomendado por R$ 100 mil. Desta quantia, foi pago ao executor R$ 20 mil e o restante foi embolsado pelo intermediador Junior Bolinha, afirmou Jhonathan Soares, assassino confesso de Décio Sá

O tempo passa muito rápido e até parece que foi num 23 de Abril do ano passado, a execução covarde do blogueiro e jornalista Décio Sá, que até hoje não foi totalmente explicada. O profissional de imprensa atuava como repórter da editoria de política do jornal O Estado do Maranhão e publicava conteúdos independentes por meio de um Blog, que era um dos mais acessados do estado na época. Após 14 anos, apenas dois, dos 11 acusados pelo crime foram julgados.
Parece que ficou por isso mesmo
As condenações sobre o caso foram determinadas em fevereiro, em sessão que penalizou em 25 anos e três meses de prisão em regime fechado o assassino confesso Jhonathan de Sousa Silva e o homem que conduzia a motocicleta que deu transporte ao pistoleiro, Marcos Bruno Silva – de lá pra cá, mais ninguém foi condenado, e parece que ficou por isso mesmo!
Julgamento conturbado
Durante as audiências sobre o caso, Jhonathan ainda chegou a negar ser o responsável pelos tiros que executou Décio Sá, mas depois, após evidencias concretas, confessou e declarou que acertou o valor de R$ 100 mil pela morte do Blogueiro, mas que recebeu apenas uma parte do dinheiro. “Matei porque tinha acabado de sair da prisão, tava sem dinheiro e precisava alimentar meus filhos”.
O acusado pela morte do profissional de imprensa ainda chegou, no princípio a fazer uma narrativa que não conhecia nenhum dos outros envolvidos os quais havia delatado anteriormente. “Eu não disse, não saiu da minha cabeça. Eu não conhecia essas pessoas, não sabia do envolvimento dele com nada. Não conhecia Glaucio, não conhecia Bochecha, não conhecia ninguém. Tem isso que tinha partido deles o interesse de matar o tal do Décio”, falou. Em contrapartida, as afirmações foram contestas pelo promotor Rodolfo Ribeiro, ressaltando que o réu não estava colaborando com a justiça.
“Não faz sentido que o senhor saia daqui, vá para outra cidade, sem dinheiro, como o senhor disse que estava quando aceitou matar Décio por R$ 100 mil, se desloque para outra cidade e se hospede. É por isso que eu falo que se o senhor estivesse arrependido de fato, o senhor falaria agora. Quem está arrependido mostra arrependimento contribuindo. O senhor não está arrependido”, avaliou o jurista.
O jornalista e blogueiro Domingos Costa, elencou perguntas relevantes, que até hoje são passíveis de respostas veja abaixo!
1 – Que fim deu aos dois celulares usados pelo pistoleiro Jhonathan de Sousa Silva, apreendidos pela polícia?
2 – Quem era a pessoa que o pistoleiro Jhonathan ligou mais de 15 vezes desses celulares e mantinha comunicação constante?
3 – Como se deu a ‘mágica’ para livrar Fábio Aurélio Saraiva Silva (‘Fábio Capita’, capitão da Polícia Militar à época) do processo, uma vez que a arma usada pelo pistoleiro Jhonathan para executar Décio pertencida exatamente a ‘Capita’?
4 – Por que a Polícia, o Ministério Público e o próprio Judiciário ignoraram a carta feita à próprio punho por José Raimundo Sales Chaves Júnior, o Júnior Bolinha, dando conta que o poderoso e influente empresário Marcos Túlio Regadas foi o mandante da morte de Décio?
5 – O pistoleiro Jhonathan veio ao Maranhão matar um ambientalista, o que isso tem de relação com a morte de Décio? O que o assassinato de Décio tinha com o segmento de Meio Ambiente? E quem tinha interesse na morte desse ambientalista? O que esse ambientalista estava fazendo para incomodar tanto, ao ponto de sua morte ter sido encomendada por “alguém”?
6 – No dia da morte de Décio, o pistoleiro Jhonathan perdeu ele de vista, mas foi avisado por “alguém” que o jornalista estava na Avenida Litorânea, qual foi o amigo que ligou para Décio perguntando onde ele estava? E quem foi essa terceira pessoa que pediu a localização do jornalista ao amigo do blogueiro?
7 – Porque a Polícia e o Ministério Público nunca revelaram o cruzamento dessas ligações telefônicas; e o que aconteceu com o celular de Décio Sá recolhido pela Polícia na noite do crime que, se usado, identificaria o mandante da sua morte?
8 – Fábio Aurélio Saraiva Silva (‘Fábio Capita’, capitão da Polícia Militar à época), atuava como segurança do poderoso e influente empresário Marcos Túlio Regadas, dono da construtora Franere, era uma espécie de “faz tudo” e, foi exatamente, uma arma de ‘Fábio Capita’ usado por Jhonathan que matou Décio, então, por que a relação “Regadas/Capita” nunca foi investigada a fundo?
9 – Por que o poderoso e influente empresário Marcos Túlio Regadas, dono da construtora Franere, não manteve os processos na Justiça contra jornalistas que ecoaram as denúncias de que ele foi o mandante da morte de Décio?
10 – Porque o poderoso e influente empresário Marcos Túlio Regadas, dono da construtora Franere, nunca aceitou enfrentar uma acareação com Júnior Bolinha?
11 – Quem foi o “superior” de Décio que foi até a casa dele recolher, mesmo sem mandado judicial, o computador do jornalista?
12 – Quem mais ganhou com o “atrofiamento” das investigações do caso Décio? E quem foi o verdadeiro mandante do assassinato de Décio Sá que nunca foi preso?
Essas e tantas outras perguntas seguem sendo um mistério e tornando o caso Décio Sá em uma das maiores injustiças da história da política e do judiciário maranhense. Aliás, muita gente sabe quem – verdadeiramente – mandou matar o jornalista, mas por “milhões” de motivos não têm interesse em desvendar o caso.
Livres leves e soltos
Os demais acusados de serem os mandantes da execução covarde de Décio Sá estão livres, leves e soltos e 14 anos se passaram…




