Greve Geral nas próximas horas em São Luís

É um ciclo vicioso que só se rompe quando a sociedade entender que transporte público de qualidade não se faz com salário congelado, nem com subsídio sem critérios e sem estudos técnicos, mas com planejamento, gestão eficiente e, acima de tudo, respeito ao trabalhador
Mais uma vez, o trabalhador rodoviário de São Luís é chamado a pagar a conta de um sistema de transporte que insiste em não funcionar. Em um novo capítulo da novela repetitiva que envolve a Prefeitura, os consórcios e as empresas de ônibus, o prefeito Eduardo Braide (PSD) autorizou ontem, às pressas, um repasse via transferência bancária o pagamento de mais um subsídio para honrar com o Acordo assinado, ainda em 2024, em que se compromente em pagar os salários dos trabalhadores rodoviários e assim manter o preço das passagens congeladas. O detalhe que salta aos olhos, no entanto, é que após várias investidas do prefeito contra o transporte público, o valor do subsídio só diminuiu, saindo de cerca de R$ 6 Milhões, para menos de R$ 4 Milhões, valor que não contempla o pagamento dos salários dos rodoviários com o aumento e benefícios do ticket alimentação, acordados no Tribunal Regional do Trabalho. (Veja abaixo, o comprovante de tranferência, feito às pressas, ontem, no fim da tarde, de quinta-feira).
Enquanto a gestão Braide acumula uma guerra contra o Transporte Público Coletivo de São Luís, a população, o comércio, a economia, os motoristas e cobradores — aqueles que realmente colocam os ônibus nas ruas para garantir o ir e vir da população da Capital, enfrentam diariamente a superlotação, sucateamento da frota, longos engarrafamentos e a violência urbana — seguram a onda com salários atrasados, salários defasados e benefícios cada vez mais escassos. A categoria, que já acumula defasagem salarial significativa, vê o seu poder de compra derreter enquanto o custo de vida na cidade não dá trégua e a guerra fratricida do prefeito e empresários não dá trégua.
O discurso oficial da prefeitura de São Luís repete a velha cantilena de que o subsídio é necessário para “evitar que a tarifa aumente” e “proteger o usuário”, e que a frota tem que estar 100% nas ruas, mas a verdade é que esta falácia não se fundamenta em estudos técnicos e muito menos diálogo por parte da prefeitura, com empresários, Ministério Público, Tribunais e por aí vai… O resultado é a falta de planejamento, falta de cálculo tarifário, falta de ajustes técnicos – falta de tudo. Enquanto tudo isso acontece, o trabalhador perde no reajuste, perde no vale-alimentação, perde a saúde e ainda vê parte do seu esforço diário ser descontado para tapar o rombo de um sistema gerido pela própria ineficiência.
Enquanto essa guerra declarada pelo prefeito não termina, o ônus bélico nunca recai sobre a gestão ineficiente ou sobre a planilha de custos das empresas, o ônus recai sobre o elo mais fraco da corrente: os usuários do transporte e o trabalhador que está na ponta, operando o veículo.
GREVE GERAL NA PRÓXIMA SEMANA
O Sindicato dos Rodoviários já deixou claro, que as empresas não pagaram os reajustes acordados no Tribunal Regional do Trabalho – TRT, e quando estão pagando, é o salário congelado no acordo de 2024 (Veja abaixo), e pior agora, com o subsídio quase pela metade aí mesmo que não haverá outra solução, a não ser notificar ainda nesta sexta-feira (6), as empresas consórcios e o TRT, com anúncio de paralisação do sistema de transporte. As negociações se arrastam, não avançam e a categoria vai se desgastando em paralisações pontuais e, no fim, o reajuste, quando vem, nunca repõe as perdas. É um ciclo vicioso que só se rompe quando a sociedade entender que transporte público de qualidade não se faz com salário congelado, nem com subsídio sem critérios e sem estudos técnicos, mas com planejamento, gestão eficiente e, acima de tudo, respeito ao trabalhador.
EM TEMPO: enquanto isso, São Luís segue andando para trás, quem está no volante, mais uma vez, não vê a hora de chegar ao ponto final; 
E MAIS: em meio a toda essa guerra está o usuário, o trabalhador, o comércio local a população em geral, que segue prejudicada; 
PRA FECHAR: anotem! nas próximas horas o Sindicato dos Rodoviários se pronunciará sinalizando uma nova Greve em São Luís. 

5 Comentários

  1. Acho que não adianta tapar o sol com a peneira. Então, se aumentasse as passagens e melhorasse as condições dos ônibus se resolveria essa novela. Sempre é com o sacrifício do povo que se resolve as questões políticas!!

  2. O negócio é o seguinte: a corda só arrebenta do lado mais fraco. O TRT só pune os trabalhadores. Na audiência no TRT quando existe um acordo assinado entre todos os envolvidos, quando o SET não cumpre o acordado ele (SET) não é punido pelo T RT. A punição vai somente para os trabalhadores que precisam de seu salário em dia para quitar seus compromissos. Pra mim o TRT é um órgão totalmente parcial em suas decisões.

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Sobre o Editor
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JADSON PIRES é Letrólogo, Gestor Ambiental e Jornalista Investigativo DRT - 2095/MA. É editor deste Site, onde se dedica à divulgação do que está oculto e conteúdos relevantes ao público digital.

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